A evolução da mídia social

“As pessoas amam um palco onde podem se exibir”, afirma Shyam Sundar, diretor do Laboratório de Efeitos de Mídia, na Universidade da Pensilvânia. “É muito sedutor para usuários [de redes sociais] a oportunidade de ser a fonte do conteúdo, não só um consumidor passivo”. Este é o apelo de sites como o Tumblr, onde milhões de pessoas criaram blogs personalizados, ou o Reddit, agregador de notícias que também encoraja usuários a produzir e compartilhar conteúdo em vídeo.

A aquisição do Tumblr pelo Yahoo por 1,1 bilhão de dólares é, assim, uma ação renovadora de Marissa Mayer para agitar sua companhia, além de prenunciar uma mudança maior na mídia social. O Facebook discutivelmente inventou as modernas redes sociais e continua reinando sobre elas. Mas sua abordagem é cada vez mais vista como passiva e retrógrada enquanto pessoas migram para aplicativos como o Tumblr.

Outros aplicativos seguem o mesmo caminho: o Vine permite a produção e compartilhamento de vídeos de seis segundos, e é incrivelmente popular desde sua estreia, em janeiro. Um de seus criadores, Dom Hofmann, disse que seu sucesso inicial ocorreu por conta da “simplicidade da ferramenta”.

O Snapchat, aplicativo para mensagens, que permite adicionar textos ou desenhos em cima de fotos ou vídeos, processa mais de 150 milhões de imagens por dia. O Instagram, comprado pelo Facebook no ano passado, atraiu mais de 100 milhões de usuários em um curto período de tempo ao adicionar filtros retrô sobre fotos tiradas por telefones celulares.

Aposta

Quanto mais serviços como o Vine ou o Tumblr “inventarem formas de permitir o controle e a produção de conteúdo, mais bem sucedidos eles serão”, prevê Sundar. Mesmo assim, esses jovens sites ainda não se mostraram lucrativos, o que torna a ação do Yahoo uma grande aposta.

Pessoas possuem tantos feeds de notícias, sites e aplicativos competindo por seu tempo, diz Kim Celestre, analista da Forrester Research, que sites e serviços onde são mais ativos prendem sua atenção por mais tempo, atraindo mais dinheiro. O Tumblr diz que seus usuários gastam 24 bilhões de minutos no site por mês. “Grandes campanhas de marketing buscam trazer pessoas para a sua marca e imergi-las”, diz Celestre.

O Tumblr, entretanto, ainda não descobriu o caminho para o lucro. O mesmo acontece com outros serviços populares como o Path, Foursquare e o Quora. Não está claro como qualquer um desses sites ganhará dinheiro, a não ser que também sejam comprados por uma grande companhia que queira revitalizar sua imagem.

Em baixa

O Facebook, por outro lado, ainda é uma força para se reconhecer. A empresa tem bilhões de usuários e gerou 5 bilhões de dólares no último ano. Mas, apesar da compra do Instagram, tem sido devagar para introduzir ferramentas que permitam seus membros criar conteúdo além de vídeos e fotos. O resultado é que evoluiu para um diretório social, onde pessoas gastam seu tempo cuidando de sua imagem pública e buscando ferramentas de privacidade para esconder suas fotos de desconhecidos curiosos.

Os sinais de que seus usuários estão entediados já começaram a aparecer: uma pesquisa recente entre cinco mil adolescentes americanos mostrou que a popularidade do Facebook caiu 9% desde 2012. Gene Munster, um dos analistas da pesquisa, diz que os resultados revelam que o interesse de jovens usuários da internet é inconstante e passageiro. “Não é uma questão se o Facebook continuará a ser relevante. À margem, ele continuará a ser revelante”, analisa Munster. “A questão é o potencial de queda de envolvimento e o impacto na receita a longo prazo”.

Pessoas como Kyle Williams, designer de 32 anos, estão se distanciando do Facebook e se aproximando de ferramentas criativas. “O Facebook está morrendo no meu calendário. Eu raramente entro nele. É sempre o esperado e sobre o que meus amigos estão fazendo. Existe algo de criativo nos estranhos das outras plataformas, mais interessante que as pessoas que conheço pessoalmente”, diz Williams.

David Karp, fundador do Tumblr, disse em uma entrevista que não via seu site como uma rede social. Em vez disso, Karp, que tem 26 anos, o vê como uma “tecnologia criativa”. “Existe uma obsessão com o social agora, mas a maior parte da mídia de que gostamos é abastecida por um exército de criadores independentes”, afirma. “Os 300 milhões de usuários mensais não querem fazer amigos, mas consumir e fazer conteúdo”.


Tradução: Rodrigo Neves, edição de Leticia Nunes. Com informações de Jenna Wortham [“A Flashy Bet for Yahoo on a Shift in Social Media”, The New York Times, 21/5/13] - Reproduzido do Observatório da Imprensa
Redação AdNews

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