Pode o merchandising um dia morrer?


Em minha opinião, merchandising é um assunto ainda novo no varejo brasileiro. Se no topo da pirâmide do mercado, onde se encontram não somente os maiores varejistas, mas também seus maiores fornecedores, merchandising já é um assunto consolidado, bem trabalhado, por vezes até premiado em concursos,  quando falamos em pequenas cidades, pequenos varejistas e empreendedores de regiões distantes de grandes centros, a realidade é praticamente outra. O balcão ainda prevalece na maioria dos negócios, não importando a exposição, e sim a simpatia e o bom atendimento do vendedor ou proprietário. 

Mas algumas questões que vêm sendo apresentadas nos últimos tempos, principalmente referentes à tecnologias que buscam maximizar não somente a experiência de consumidores, mas principalmente a operação de varejistas, me faz pensar se um dia o merchandising tal como conhecemos hoje irá morrer.

Duas questões me chamaram muito a atenção nos últimos tempos: A primeira foi a bem sucedida implantação de um sistema de compras através de QR Code em uma das bandeiras operadas pela Tesco na Coréia do Sul, onde os consumidores tem a opção de comprar os produtos da marca em uma estação de metrô, através de um painel onde estão expostos os produtos, utilizando aplicativos e dispositivos móveis. A experiência deu tão certo, que foi repetida recentemente pelo Pão de Açúcar em São Paulo em alguns locais teste, como cinemas e a própria sede do grupo. 

A segunda questão se refere aos processos. O mundo caminha para uma otimização dos processos de exposição, organização e até mesmo reposição de produtos através de tecnologias analíticas de vídeos que permitem através de câmeras, e em integração com os sistemas de gestão, não somente perceber quais mercadorias estão faltando em uma determinada gôndola, mas também perceber produtos colocados de maneira e/ou locais errados, e até mesmo providenciar a compra ou requisição de um novo pedido ao fornecedor.

Ao ser humano, mais precisamente ou papel do repositor, cabe apenas a simples tarefa de tirar a mercadoria do estoque e colocá-la na gôndola. Pelo menos por enquanto. Num modelo de ponto-de-venda, onde os produtos estejam estampados e disponíveis através de um código de barras, e não mais fisicamente expostos, como no caso da Tesco, nem mesmo a reposição é mais válida.

Em meio à tantas discussões entre o varejo físico e o virtual, omnicanais, e outras tendências, não acredito que o ponto-de-venda físico morrerá, porém, será haverá um dia uma loja 100% automatizada? Uma loja onde entramos, escolhemos o que queremos através de um código, e robôs ou processos automatizados que proverão nossas compras em esteiras, já devidamente embaladas e prontas para serem levadas? Nesse novo mundo, qual seria o papel do merchandising? Estaria ele não mais das equipes de chão, mas sim nas equipes de design e agências no momento de criação da loja? Pode o merchandising um dia morrer?

O fato é que no mundo de hoje com tantas tecnologias disponíveis, trazendo novidades e revoluções em períodos cada vez mais curtos, estamos numa estrada que nos leva um caminho onde não sabemos qual será seu destino final. Dessa forma, o melhor que temos a fazer, é aproveitar a vista.


Por Caio Camargo, autor e editor do blog "Falando de Varejo". 
Artigo reproduzido do portal Administradores.


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